terça-feira, 10 de julho de 2007

Congregação rara


Em agenda a questão da transcendentalidade da natureza.
Kant e alguns monges budistas representados na figura pop do Dalai lama prometiam animar as sessões.
A organização tudo fez para ressuscitar Kant, mostrando-se agradada com os resultados da iniciativa. Kant, no entanto, mostrava-se algo desapontado pela interrupção do seu descanso: «Sempre duvidei dessa coisa de descanso eterno», afirmou em declarações à radio.
Platão também viria em representação de Sócrates, o qual procuraram contactar sem sucesso – a presença de Platão foi aliás uma exigência de Kant.
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O povo acotovela-se no exterior do centro de congressos. A cobertura mediática fazia-se entender:
(«Até ao momento não há qualquer registo de conclusões.»)
No interior, extasiava-se a plateia na interpretação platónica da Metafísica de Kant e nos improvisos de Sócrates, que ao abrigo do código deontológico dos curandeiros, era tido como presença que só os mais possessos notavam; tocava com a alma, segundo os monges, havia sido no passado um instrumento de cordas divinais
A tempo de assistir por dentro a parte do espectáculo, coagiram-me a sair do recinto depois que todos os congressistas aprenderam inglês, facto que facilitou em muito a discussão com o Dalai lama.
Enfrentei os jornalistas numa entrevista esporádica.
Relatei parte do que vi à editora e pensei em suicidar-me.

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